Se o Nazareth viesse a Londrina, Londrina deveria ter ido até o Nazareth
 
Dito e não feito, a minha querida Londrina desaproveita o momento mágico para acalentar – com todo o meritório reconhecimento – Dan McCafferty e Pete Agnew, muito bons roqueiros, das melhores cepas que o Hard Rock já produziu
por M. Fior La Dupuis d’Villeganon
 
 
Dunfermline. De difícil escrita?! Poupem-se então de qualquer ânimo de pronunciar o nome desta histórica cidadezinha, situada na embocadura do Rio Forth, a poucos quilômetros para o nordeste da bela e cinéria Edimburgh (ou “êdimbrá” para os autóctones de lá). Dunfermline, que já foi capital da acastelada Escócia, que serve de descanso para as cinzas do Rei Robert I ou Robert “The Bruce” (1274-1329), que no século XIX tornou-se um dos maiores centros mundiais em se tratando de linho industrial, e, que é o berço do perseverante Nazareth.
 
Da borralha do semiprofissional grupo The Shadettes rebenta o Nazareth em 1968. O nome foi alterado com a inclusão do guitarrista Manuel “Manny” Charlton (espanhol, de La Línea de La Concepción) na patota já existente, composta por: Pete Agnew (escocês, da sobredita Dunfermline, baixo e vocal), Darrell Sweet (inglês, de Bournemouth, bateria e vocal) e Dan McCafferty (igualmente caledônio e de Dunfermline, vocal, esgares – a dar com um pau! - e gaita de foles). De 1971 ao ano de 1973 gravam, em ordem, os álbuns: Nazareth, Exercises e Razamanaz. O último citado “bolachão” (disco de vinil ou LP) conta com o apoio e produção do baixista do Deep Purple (Roger Glover), amigo e fã da rapaziada. Até 1975, a banda despeja grandes discos no mercado fonográfico: Loud’n’Proud, Rampant (estes dois ainda contando com os préstimos de Glover) e Hair Of The Dog (“o (a) masterpiece”, a obra-prima nazarethiana!!!). Neste comenos, o Nazareth já vinha recebendo uma tonitruante e positiva resposta do público internacional, adaptando com maestria velhas canções (baladas) do Folk Song ou Traditional Music, como: Morning Dew (de Bonnie Dobson, em seguida, aproveitada por Tim Rose), This Flight Tonight (da canadense Joni Mitchell) e Love Hurts (de Diadorius Boudleaux Bryant). O estro nazarethiano também se faz representar, maravilhosamente, em inesquecíveis músicas próprias, como: Broken Down Angel, Shanghai’d In Shanghai e Hair Of The Dog.
 

Dan, a gaita, e Pete
Daqui pra frente, até a apresentação em Londrina, tentarei resumir – com velocidade tal qual as albescentes correntezas do Arun (rio que corta o Nepal, Tibet e China) - a irreprochável e substanciosa carreira da trupe escocesa.
 
Em 1976, a formação original do Nazareth grava os álbuns: Close Enough For Rock And Roll e Play ’N’ The Game. Em 1977 é lançado: Expect No Mercy; data da morte do empresário escocês: Bill Fehilly, que tanto havia apoiado e investido no grupo. No Mean City sai em 1979, recebendo o reforço da guitarra de Alasdair “Zal”Cleminson (ex-Sensational Alex Harvey Band), e emplacando dois sucessos: May The Sunshine e Star. Em 1980 é a vez do álbum Malice In Wonderland, depósito do milagre sonoro realizado por Zal: Heart’s Grown Cold. Em 1981, os “Nazas” dispõem The Fool Circle (sem Cleminson, mas com o talento pianístico de John Locke) e ‘SNAZ (um dos “discos-duplos” ao vivo mais bem energizados da História do Rock, trazendo Locke e a adesão doutro guitarrista escocês Billy Rankin). Tem-se na seqüência: 2XS (de 1982, provocando o “hit”: Dream On); Sound Elixir (de 1983); The Catch (de 1985); Cinema (de 1986); Snakes and Ladders (de 1989). No ano subseqüente, Charlton deixa o Nazareth; Rankin – ausente a partir de 2XS – retorna, ajudando os “Nazas” a confeccionar dois novos bons “bolachões” e/ou CDs: No Jive (de 1991) e Move Me (de 1994). Rankin acaba por deixar o grupo outra vez; para ocupar o seu lugar é chamado Jimmy Murrison (mais um escocês, de Aberdeen); também é recrutado Ronnie Leahy (Adivinhem de que naturalidade?!... Escocês, de Glasgow.) para encorpar o som com o uso de teclados. Boogaloo desponta em 1998, caindo o Nazareth, novamente, nas graças da crítica e público internacionais. Durante a turnê norte-americana de 1999, o veterano baterista Darrell Sweet sofre uma parada cardíaca, falecendo. Lee Agnew (filho de Pete) ocupa o comando das baquetas. Em 2001 é posto à venda: o DVD: Homecoming (gravado ao vivo em Glasglow, e justificando o título). Em 2002 é hora da despedida do tecladista Ronnie Leahy. Em 2005 soltam outro DVD: Live From Classic T Stage, que contém momentos de shows e filmagens do grupo “na estrada”. Em 2007, em agradecimento aos seus numerosos - e fiéis - fãs tupiniquins, o Nazareth realiza o DVD: Live In Brazil. Encontramo-nos em 2008, quando são anunciados: o novo CD de estúdio (The Newz), a comemoração das bodas de esmeralda (o 40º aniversário) e uma gigantesca turnê mundial, incluindo o Brasil, e Londrina. É digno de nota o fato da sempre privilegiada posição de vendagem de discos nazarethianos por esse mundão afora!
 
Àqueles que - apreciam Rock de primeiro nível -, o Nazareth deve satisfazer, e muito! Tive a felicidade de assisti-los no Brasil por duas ocasiões: quando se apresentaram ao lado do Uriah Heep no Olympia de São Paulo (foge-me a data), e, no último dia 30 de maio, no salão de festas do Londrina Country Club. Vi-os ainda numa noite memorável no Camel Rock Casino (em Tesuque Pueblo, ao norte de Santa Fe, New Mexico, USA), no domingo de 29 de agosto de 1999, tocando, ombro a ombro, com Foghat e Lynyrd Skynyrd.
Bozó d’ Villeganon: “Eu trabalho na Globo”
 

Villeganon e Thiago Ilnick produzindo o documentário
Uma surpresa e tanto Londrina sendo visitada pelo Nazareth! Fato extraordinário por aqui. Reuni uma força-tarefa - um grupo de intrépidos (as) amigos (as) -, pedi o apoio de equipamento cinematográfico para a Faculdade Pitágoras de Comunicação Social e Jornalismo e solicitei junto ao divulgador do evento permissão para filmar um documentário acadêmico.
 
Munidos de duas câmeras (profissionais de filmagem), uma “hand-camera”, máquinas fotográficas digitais, celulares e inesgotável disposição do espírito, aguardamos a chegada do Nazareth no Aeroporto de Londrina na manhã do dia 30 de maio (sexta-feira e feriado municipal). Deparamos a senhora Alice Madeira de Oliveira (e respectivos, marido e filho: senhor Antonio Carlos e Márcio) que esperavam, ansiosamente, a banda como nós. Dois belos apertões nas bochechas foram, entusiasticamente, aplicados em McCafferty (já naturalmente rubras) pela senhora Alice que exclamava: “Eu não acredito! É ele!”. Nenhuma outra alma viva teve a mesma idéia, ou vontade!!! Registramos o encontro da veterana fã com os seus ídolos. Da mesma maneira que é feito nos filmes de ação “hollywoodianos”; seguimos as duas vans nazarethianas até o hotel reservado, dobrando serpiginosas esquinas numa implacável perseguição automobilística.

Sir Dan McCafferty e a Sra Alice Madeira de Oliveira, no aeroporto de Londrina,
após os belos apertões de bochecha, pajeados por F. L. D. d’ Villeganon
Por volta das 17 horas, seguimos ao salão de festas do Country juntamente com os “roadies” (assistentes técnicos) nazarethianos, que “passariam o som”, ou seja, eles deixariam tudo pronto, arrumado, para o desempenho artístico da banda. Nós aproveitamos para instalar o nosso equipamento e traçar “in situ” um bom plano de captação de imagem e som. A performance do Nazareth foi boa, levando-se em conta a idade de McCafferty (61) e Agnew (61); contudo, pude observar em seus semblantes, manifestos sinais de cansaço. Não foi para menos, a turnê pelo Brasil, na qual estavam inseridos, contou com apresentações – quase diárias – em diferentes localidades. De fato, quem decepcionou foi o público da minha amada Londrina. E direi por quê.
 
“A Hora Da Verdade.” Porque foi a primeira vez que um grupo de Rock – de fama e categoria universais – surgiu em Londrina, e não havia nenhum: cristão, muçulmano, judeu, xintoísta, budista, ou - sei lá o que mais! - para recebê-lo (salvo, obviamente, as pessoas já citadas acima). Porque vivo a acompanhar reclames e choramingos - de “pressupostos” amantes de Rock – respeitantes à carência de bons shows internacionais em nossa cidade. Quando emerge um acontecimento admirável (Tal qual o do Nazareth!): simplesmente, esses “roqueiros” não comparecem! Fui obrigado a presenciar desculpas fantásticas, como, por exemplo: “Tenho um churrasco de aniversário de um sobrinho”, “Tenho de caçar com amigos” (É, os infelizes animais devem ter agendado hora e dia para exercer sua função de complacente vítima!), “Minha mulher não vai deixar que eu saia de casa”, “O McCafferty desafinou numa canção num show tal de um DVD tal que assisti, e não vou para boicotá-lo”, “Puxa, o Nazareth tá vindo, na próxima eu vou!” (Sim claro, talvez nas bodas de brilhante da banda: de 75 anos!)... E assim seguiu a trenheira de asneiras desmedidas!!!... E assim desfilou o féretro de despautérios!!!... Se você não tiver nada melhor que o silêncio para oferecer, cala-se!!! Moral da história: os empresários e divulgadores insatisfeitos (com a receita obtida aqui), provavelmente, não incluirão a minha estimada Londrina na rota de futuras apresentações de grandes bandas de Rock pelo Brasil... Ao menos, o documentário adquirirá assim um valor inestimável.
 
A equipe do documentário acadêmico foi composta por: Ana Cláudia Mendes, Carla Bonomo, Carlos Eduardo Baldaçara, Marco Antonio Rossi, Sidney Macedo Filho, Silvia Ilnicki de Azevedo, Thiago Ilnicki Nogueira de Azevedo e Adriano Alves Fiore.
 
 Fotos
 
O vocalista, Dan McCafferty, e o guitarrista, Jimmy Murrison. O baixista, Pete Agnew.
A banda. A fotógrafa exclusiva do site do bar Valentino, Ana Cláudia Mendes, e a banda ao fundo.
A banda de frente para o público. O baterista, Lee Agnew, filho do baixista Pete.
Dan, e sua gaita de foles, durante a música Hair of The Dog. A banda.
A equipe de Londrina e Maringá confraternizando-se. No camarim: Carlos Baldaçara, Dan McCafferty e Sílvia Ilnick.
No camarim: Dan McCafferty, Ana Cláudia Mendes, Jimmy Murrison e Sílvia Ilnick. Dan MacCafferty e o ilustre desconhecido em bate-papo.
Carla Bonomo, Pete Agnew e o insistente penetra. Dan MacCafferty e Sidney Macedo, o vulgo "El Cid", em pose caledônia.
 
Ana Cláudia Mendes, o mascote “Scotty”, Sílvia Ilnick, e o penetra.  
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