Parte II
 BOOM, BOOM,BOOM, BOOM… HAU,HAU,HAU,HAU…
UHM, UHM, UHM, UHM…
BOOM, BOOM, BOOM, BOOM!

“O Jazz veio do cérebro; o Blues, o Rhythm and Blues e o Rock and Roll vieram do ventre” - Eric Burdon (vocalista do The Animals) (1)

“Rock and Roll é nossa vida, com fúria e paixão” - David Lee Roth (cantor e “showman”) (2)

“Rock and Roll é uma 'ameaça'. Esse é o segredo" - Suzanne Vega (cantora “pop”)

  O título da segunda parte da Nossa Saga do Rock and Roll conta com a participação dos grunhidos especiais de Mr. John Lee Hooker, o “Rei do Boogie”. Emprestados de sua famosíssima canção... “Boom Boom”.
 

SÉCULO XX

Tão sabido quanto final de novela, nas décadas de vinte e trinta, massas populacionais de afro-americanos sulistas migraram para cidades e regiões mais industrializadas dos Estados Unidos, sobretudo, ao Meio-Norte. Deslocamentos que provocaram inchações de gente em: Chicago, Atlanta (no Sudeste), Saint Louis, Memphis, Los Angeles (no Sudoeste), Detroit et cetera. Dentre todos os viajantes, aqueles que deixaram New Orleans (Louisiana) tornar-se-iam os mais conhecidos intérpretes de Jazz e Blues Arcaicos; a notória Escola do Delta do Mississipi (3).

Instalados nas metrópoles, os músicos e seus instrumentos acústicos não conseguiam rivalizar à altura com o berreiro humano do dia-a-dia. Zunzunzum, burburinhos, ruídos em excesso nos bares, clubes e casas noturnas prejudicavam qualquer tentativa de “performance” - atuação desempenhada em público. Deu-se início à amplificação elétrica de violões, contrabaixos, como meio de resolver o problema.

  DECÊNIOS DE TRINTA E QUARENTA

O Mundo do Jazz contava com Eddie Durham, Count Basie, Charlie Christian entre outros pioneiros na utilização de guitarras elétricas. Estrangeiros contribuíram para a grande miscigenação musical como o francês Jean Baptiste “Django” Reinhardt. Atribuem-lhe a formação do primeiro quinteto de Jazz composto, exclusivamente, por instrumentos de cordas (4).

“O Jazz e o Blues sempre foram muito chegados”!

ELECTRIC BLUES. Nascia o irmão urbano do caipiríssimo Acoustic/Rural Blues.
Até aquele momento, ninguém assemelhava de tal maneira em sentimento e rebeldia com o nascituro Rock and Roll. É impossível apontar o mais antigo guitarrista do Blues Elétrico. Robert Johnson, “blueseiro” da fase acústica, autor de “Crossroads” – música imortalizada pelo Cream (5) –
teria produzido sons eletrificados um pouco antes de sua morte em 1938. No ano de 1940, T-Bone (Aaron) Walker, um texano nascido em 1913 e radicado em Los Angeles, combinava Blues Elétrico com pitadas de Rhythm and Blues e Jazz.

 
CHICAGO. A chamada “Cidade do Vento” transformou-se no principal centro de Blues do país, atraindo homens de empresa e blueseiros de todas as partes, assim como, Nashville (Tennesse) viria a ser a mais importante convergência da música Country Norte-Americana. A cidade de Memphis (também do Tennesse) presenteou Chicago com alguns nomes “pesos pesados” do Blues: Junior Parker, Ike Turner, Howlin’ Wolf, B. B. King, Rufus Thomas, Little Milton, James Cotton. Reza a fofocada que, Ike Turner (guitarrista, pianista e “caçador-de-talentos”) tinha por “hobby” dar umasbifas” (6) em sua esposa Lady Annie Mae Bullock; esta atendia pela graça de Tina Turner. Tina, como Muddy Waters (7), havia catado muito algodão em campos de coleta. Viu só povo! Até as grandes estrelas passam por infortúnios! Ao menos uma coisa boa fez Ike Turner, descobriu Chester Arthur Burnett, ou Mr. Howlin’ Wolf.
HOWLIN’ WOLF. Pra variar, nasceu no Delta do Mississipi em 1910. Recebera forte influência de Charley Patton (8).
Era possuidor de uma tonitruante voz que assustava até aqueles acostumados com os vocais fortes e rouquenhos do Blues. A partir de 1950 foi convidado para gravar discos no estúdio da Sun Records constituída por Sam Phillips(nascido no Alabama em 1923) lado a lado com outros músicos: Joe Hill Louis, Rosco Gordon, Jackie Brenston e B. B. King. Logo cederia seus direitos autorais para a emergente e frutífera gravadora Chess Records. Esta se converteria na maior divulgadora de artistas de Blues e Gospel daquela época.
Howlin’ Wolf fez viagens à Inglaterra, onde transmitiu sua música a diversos grupos de Rock que seriam “um estouro” na década `60: The Yardbirds (em seu álbum de estréia inseriu a canção “Smokestack Lightnin’”); The Rolling Stones (produziu uma versão de “Little Red Rooster”); Cream e Led Zeppelin. Da mesma forma, serviu como fonte de inspiração para diversas bandas norte-americanas de Blues, Rock e “Psicodelismo”: The Lovin’ Spoonful, Paul Butterfield Blues Band, Canned Heat, The Blues Project…Eis alguns trabalhos, discos de Howlin’ Wolf: “Moaning in The Moonlight”, “Tune Box”, “Real Folk Blues” (1966), “More Real Folk Blues” (1967).
 

“Sem dúvida, toda criação é uma grande corrente cujos elos vieram de outros. A obra original é aquela cujo número de referências é tão grande e tão bem misturadas que não seja possível identificar as fontes” – Sr. Edgar Guimarães; ‘fanzineiro’ e artista independente.

E o intróito se espicha...

1 - Princípio da década de ´60. Em Newcastle (Nordeste da Inglaterra) existia uma banda conhecida por The Kansas City Five que iria se transformar em Alan Price Combo. Em 1964, um vocalista tampinha e nervosinho jungiu-se ao grupo, era Mr. Eric Burdon. Em razão de suas “agressivas” apresentações, os fãs apelidaram-nos de “animais”. Vingou o apelido e a banda passou a se chamar The Animals. Em 1969, desfez-se. Eric Burdon com seu estilo “bluesy” e raivoso de cantar seguiu carreira de solista. Em 1976, o The Animals reuniu-se, parcialmente, lançando o disco “Before We Were So Rudely Interrupted”; em 1983, conseguiram reagrupar todos os membros originais resultando em outra obra, “Ark”, daí pra frente, não deu mais pra “segugurar a onda”! ...retornar
2 - Mr. David Lee Roth nasceu na cidade de Bloomington (Indiana-USA) no ano do Senhor de 1955. Atingiu a glória como vocalista e grandíssimo “rebolador de palco” da banda norte-americana de Heavy Metal e Hard Rock: Van Halen. A parceria esfacelou-se em 1984. Quem nunca ouviu o super-hit “Jump” do disco “1984” que apresenta na capa um anjinho louro, entediado, “dando um pito”? (2.1)
2.1. fumando. ...retornar
3 - O rio mais importante e famoso dos Estados Unidos é o Mississipi que corta o país pelo centro em direção Norte-Sul; do Norte do estado de Minnesota até atingir o Golfo do México no delta (3.1) que se forma entre os estados de Mississipi e Louisiana, onde se encontra a cidade de New Orleans.
3.1. Ensina-nos o Mestre Pai-dos-Burros: “delta pode ser foz caracterizada pela presença de ilhas de aluvião, assentadas à embocadura de um rio, e que forma canais até o mar”. ...retornar
4 - Em 1933/34, Monsieur “Django” Reinhardt tocava no Hotel Claridge (Paris-França) juntamente com um violinista de nome Stephane Grappelli. “Deu liga”, então, convidaram dois irmãos de Reinhardt (que era cigano; irmão sobrando é o que não devia faltar!) Joseph e Roger - ambos violonistas. Dando seqüência, alistaram o contrabaixista Louis Vola e, batizaram o The Quintet du Hot Club de France, que viria a despontar como a primeira banda de Jazz do Mundo constituída, apenas, de instrumentos de cordas. ...retornar
5 - Por muitos, considerado o inaugurador dos supergrupos  de Rock e Blues da História. Sua origem remonta da Inglaterra, lá pela segunda metade da década de ’60. Sua formação contava com Eric Patrick Clapp, ou Mr. Eric Clapton, nas guitarras e vocais; Mr. Ginger Baker, na bateria e percussão; e o escocês Mr. Jack Bruce, no contrabaixo e vocais. O Cream foi também o primeiro supertrio que obteve um sucesso comercial estrondoso! ...retornar
6 - Dar uns bofetes, tapas, ou como queiram os (as) mais radicais... porrada mesmo! ...retornar
7 - ou Mckinley Morganfield, um dos expoentes do Electric Blues; falaremos dele no próximo capítulo. ...retornar
8 - Alfarrábios consultados apregoam que Charley Patton seria um bluesman da Era do Acoustic/Rural Blues que influenciara seu amigo e contemporâneo Robert Johnson, outro “dinossauro” do gênero. ...retornar
 
 
   
História do Rock and Roll
Adriano Alves Fiore
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