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| Parte III |
| “Oooooohhh... I’m your Hoochie Coochie Man!” |
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“R & R foi a única coisa que conseguiu dar uma idéia do mundo exterior” - Bruce Springsteen.
“R & R é pôr prá fora o que é forte em você, porque as músicas têm vida, elas respiram” - Polly Harver (cantora pop)
“(...) just R & R is on my mind. I can’t feel no pain” - Steve Jones (guitarrista original do Sex Pistols) em “Freedom Fighter” do disco “Fire and Gasoline”, MCA Rec., 1989
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Muddy Waters
Da transposição de todos os gêneros musicais em Rock and Roll, no que tange ao Blues, redundaria numa falta inafiançável não destacar a figura de Mckinley Morganfield (1915-1983) ou, simplesmente, para o Mundo: Muddy Waters.
Natural de Rolling Fork. Adivinhem de que estado e região? Mississipi, e só um pouquinho acima do famoso Delta homônimo, nascedouro de prístinos bluseiros, p. ex.: Charley Patton, Son House, Tommy Johnson e Robert Johnson. O pessoal do Blues oriundo do Delta do Mississipi, de um modo geral, segue para o norte/leste do país atrás de trabalho e de reconhecimento artístico. Uma outra grande leva de bluseiros emerge do Texas (01) dirigindo-se, também, para o norte como para o oeste até Los Angeles (Califórnia).
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1943
Aos vinte e oito anos de idade, cansado de apanhar algodão, Waters junta seus cacaréus e se põe a caminho da “Cidade do Vento” (Chicago). Carrega consigo um diamante bruto, uma preciosidade proveniente de sua região (Delta do Mississipi): o estilo “bottleneck” (02) de tocar guitarra e violão.
Mantém sua atividade musical apresentando-se em pequenos bares do Lado Sul e Oeste de Chicago, assim como, animando platéias em hospedarias da área. Entrementes, exerce o ofício de motorista de caminhão. Convence os donos da Aristocrat/Chess Records – uma embrionária e promissora companhia de discos que investia em intérpretes de Blues – a contratá-lo.
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Década de cinqüenta
Waters encabeça bandas com músicos do naipe de Willie Dixon, Jimmy Rogers, Otis Spann, Pinetop Perkins, Junior Wells e James Cotton. Aproveitando-se da recém-criada tecnologia – amplificação elétrica -, introduz novas idéias de distribuição dos instrumentos em palco. Em 1952, para a alegria de todos nós que adoramos um timbre de guitarra mais “cheio” e robusto, a marca de instrumentos Gibson dá início à fabricação industrial dos modelos Les Paul.
Waters é considerado por muitos, como o mais influente músico de Blues dos períodos denominados “Estilo Blues do Pós-Guerra” ou “Blues Elétrico Urbano”. De sua canção intitulada “Rollin’ Stone”, uma patota de adolescentes ingleses busca inspiração para o nome de sua “bandinha” de Rhythm and Blues. O baixista e compositor Willie Dixon, um de seus chegados, vem a se tornar uma peça essencial na permutação do Blues para o Rock and Roll. Johnny Winter, lendário guitarrista albino de Blues, discípulo e protegido de Waters, em 1977, demonstra sua gratidão ao produzir e participar intensamente dos novos discos do antigo mestre pela Blue Sky Records.
Outros legados deixados por Muddy: Michael Bloomfield, Eric Patrick Clapp ou Eric Clapton, Paul Butterfield, Buddy Guy, Magic Slam, Otis Rush...
Retrocedendo um tico no tempo, tão logo a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) chega ao termo, os EUA são sacudidos pelo estrondoso sucesso das chamadas “Big Bands” (B.B.); até no Brasil, surgem algumas.
As Big Bands consistem em pequenas orquestras de músicos jazzistas que usam e abusam do suingue e do “feeling” do Rhythm & Blues. Apresentam-se em grande estilo: com guitarras eletrificadas, contrabaixo, grupo de metais (instrumentos de sopro feitos, obviamente, de metais), “pounding boogie-woogie” piano, vocais “shouters” (03), saxofone (04) irrequieto, e muita, muita acrobacia coreográfica! Notável a ruptura na segregação musical – já implantada entre as diferentes platéias - que provoca o boom das Big Bands. Seu público é multicolor: azul, amarelo, verde, marrom-glacê... Em razão de toda a algazarra eufórica – porém, sob controle institucional! – que proporcionam aos seus espectadores e ouvintes, os músicos-líderes das B.B., também, adotam a denominação de Jump Blues para seu estilo.
Eis alguns “maestros”-vocalistas – instrumentistas de B.B.: Illinois Jacquet, Jay McShawnn, Wynonie Harris, Tiny Bradshaw, Roy Brown, Louis Jordan, Big Joe Turner.
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Ainda, década de cinqüenta
Veja que interessante? Pegue os títulos de duas canções daqueles dois últimos caras do sobranceiro parágrafo: “Rockin’” (L. Jordan) e “Shake, Rattle & Roll” (B. J. Turner), junte-os... Resultam em quê?! Vamos lá... Não desista, restitua a harmonia entre aqueles seres tão imanentes e inconstantes a todos nós humanos: os gêmeos Tico e Teco Neuronnius!... Rockin’ & Roll.
Está se aproximando o grande dia do bota-fora parturiente.
E pensar que Lavoisier (05) foi para a guilhotina porque dizia que: “Nada se perde, tudo se transforma”.
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1 - Blind Lemon Jefferson (1893-1929), nascido em Coutchman (Texas) segue para Chicago para gravar seus discos. Muito influencia um “tar” de B. B. King.
Huddie William Ledbetter ou Leadbelly ou Lead Belly (1888-1949), originário ou da Louisiana ou do Texas (?), enquanto não se encontra em alguma prisão, grava em New York. Alguém já ouviu falar da música do The Animals: “The House of The Rising Sun”? pelo jeito, é dele.
Sam “Lightnin’”Hopkins (1912-1982) de Houston (Texas). Parece que sempre vive em seu estado natal, apesar da fama. Jimi Hendrix é um de seus admiradores.
Aaron Thibeaux Walker ou T-Bone Walker ou Oak Cliff T-Bone (1910-1975) oriundo de Linden (Texas). B. B. King, J. Hendrix, The Allman Brothers Band e Chuck Berry estão entre os seus fãs. Talvez, tenha sido o primeiro blueseiro a usar uma guitarra acústica eletricamente amplificada. ...retornar
2 - Bottleneck e Slide Guitar são dois termos utilizados para definir o uso de uma peça de vidro e um pequeno tubo de metal para produzir um som diferente nas cordas de guitarra ou violão. Algo que lembre um assovio ou “deslizamento”. Para os músicos destros, os pequenos tubos de vidro (bottleneck) e de metal (slide) recobrem o dedo (terceiro ou quarto) da mão esquerda. A técnica nasceu no Delta do Mississipi e tem como pioneiros: Fred McDowell, Charley Patton, Son House, Big Joe Williams, Bukka White, Robert Johnson, Blind Willie Mctell e Blind Boy Fuller. ...retornar
3 - “Shouters”. O termo é criado para designar um subgênero de cantores de Blues que sobreexcedem, com espantosa energia, no jeito de cantar. Aliando-se às Big Bands, deixam-nas ainda mais “agressivas” e extravagantes. Os “Shouters” encontrariam a sua origem na cidade de Kansas City e seus mais notórios representantes seriam: Wynone Harris, Roy Brown, Roy Milton, Nappy Brown, e claro, Big Joe Turner. ...retornar
4 - Saxofone, instrumento de metal, mundialmente conhecido por todas as pessoas (Bem, pelo menos, acredito!), e, que teria sido inventado por um belga de nome Adolphe Sax, no séc. XIX....retornar
5 - Antoine Laurent Lavoisier (1743-1794), considerado o pai da Química moderna. Reza a lenda que teria sido o primeiro cientista a “descobrir” o gás oxigênio. Demonstra a indestrutibilidade da matéria. Acusado falsamente de fraude contra o estado, os obnóxios cortam-lhe o pescoço. ...retornar
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