Parte IV
 Alleluiah, sursum corda (01)! Rock and Roll faz-se ver... Primus inter pares (02)!!! "
“Rock and Roll é algo muito forte, chega a ser bom demais. Ele o mantém vivo o tempo todo. Não tem idade, é sedutor...” - Steve (ou Steven?), Tyler (vocalista e compositor do grupo Aerosmith).

“Rock and Roll é algo que a nação – os EUA – e o Mundo devem ouvir e conhecer” - Samuel Cornelius Phillips ou Sam Phillips (1923-2003), proprietário e fundador da gravadora Sun Records

“O melhor Rock and Roll (R & R) armazena uma alta dose de energia, uma certa raiva, tanto no estúdio como ao vivo. É isso. R & R só é R & R se não for seguro” - Mick Jagger (The Rolling Stones)

O primeiro sem segundo


Nenhumamente, outro gênero musical toca tanto o coração quanto o Rock. Fato que desembesta homéricos e inconsoláveis faniquitos nas fileiras maledicentes daquelas récuas de detratores que, ainda, insistem em lhe conferir um tom inferior.
Faz um tempão, o termo R & R vem à testa de canções e capas de discos (LPs). Talvez, o prelúdio desta moda tenha sido em 1922 com “My man rocks me with one steady roll” de Trixie Smith. Outras amostras: “Rock and Roll” (The Boswell Sisters, 1934) e “Rockin’ and Rollin’” (Tommy Scott, cantor de Country, 1951).

 

 

Década de cinqüenta: “Caça aos Rockers”


Naqueles anos de pós-guerra mundial, o país mais poderoso da Terra acabara de sofrer significativas revezes em sua população adulta masculina. Milhões de “aborrescentes” – órfãos de pai – entram em contato com o ritmo alucinante e contestador do Rock. Ah! amor à primeira vista. A piazada clama por identidade própria, que os diferencie dos padrões tradicionais e opressores, quer trocar de roupa (indumentária), anseia por liberdade de expressão e de pensamento. A nova música – R & R – assenta como uma luva para externar a insatisfação dos jovens. Toda essa juventude vai conseguindo seu espaço dentro da sociedade - impõe-se por força econômica -, ela detém dinheiro suficiente para comprar vinis (LPs) ou quaisquer produtos que seus ídolos dispusessem no mercado. Surge um recente público-alvo consumidor, inexperiente e facilmente manobrável. É como parar o barco em cima de um cardume de gulosos peixes e lançar isca abaixo para fisgá-los. Dá prá imaginar os empresários da indústria e do comércio esfregando as mãos!

Mas, tudo no Mundo, tende, a se resolver após muita exibição de sangue, suor e lágrimas! Afinal, somos, todos, seres superiores! Como seria “dolorosamente” humilhante compreender a linguagem – ou língua – dos (as): gatos, cachorros, mulas, amebas, vírus, vermes, e descobrir o que pensam sobre os seres humanos!

Alguns políticos, líderes comunitários e caciques religiosos norte-americanos da época – gente divorciada das boas intenções -, qual harpias (03) investem contra os artistas de R & R. Abusam nas proibições, boicotes e medidas autoritárias. Durante certo tempo, a “Caça aos Roqueiros” dá resultado: Elvis Presley alista-se “espontaneamente” no exército; Chuck Berry vai para a prisão; Jerry Lee Lewis sofre tamanhas difamações que lhe arruínam a carreira; Little Richard, milagrosamente, decide tornar-se pastor (?!?!?!).
Que se vire essa desditosa página – apêndice do repugnante e sanguissedento Livro da História da Humanidade – com o “conveniente” desastre aéreo, ocorrido em 1959. Nele, transformou-se num montículo de cinza, aos 22 anos de idade, a grande promessa roqueira do momento: Charles Harden Holly ou Buddy Holly.

 

O Batismo, dois-pontos, o “Pai do R & R” – primeira parte

Permanecendo na mesma década, as principais estações de rádio estadunidenses - por razões óbvias e aqui expostas! -, negam a transmissão da emergente “música do mal”: R & R. Notem, portanto, que essa baboseira covarde, chula e estúpida de classificar as coisas e/ou pessoas como se fossem do mal ou do bem já tem história!!! O R & R tem o poder de alegrar o espírito das gentes, de “soltá-las”, de lhes despertar o inconformismo em direção oposta às injustiças. A lista dos artistas condenados projeta-se ao infinito. Apesar de tudo, pequenas (e corajosas!), estações espraiam-se pelas continentais plagas dos Estados Unidos da América do Norte disseminando o mal-afamado estilo de música. Dentre estes destemidos apresentadores de programa de rádio, encontra-se Lorde Alan Freed (1921-1965), o apelidado “Moondog” (Diacho, como se traduz isto?!).
Freed é um amante de Hot Jazz e Rhythm and Blues até que a flecha encantada do R & R roça-lhe a pele.
No mês de dezembro de 1949, deixa a rádio WAKR ( em Akron, Norte do estado de Ohio), seguindo rumo, mais setentrional ainda, para Cleveland (também em Ohio). De lá, direciona-se para o leste até New York City, quando o canal de tevê: WXEL e a estação radiofônica: WJW emprestam a sua competência criadora. Freed sabe aproveitar muito bem a oportunidade oferecida por estes dois meios de comunicação de massa e cria o programa de prêmios (ou premiações): “The Moondog Rock and Roll House Party” (1951). Em março do ano seguinte, organiza aquele que seria considerado o “primeiro concerto de R & R do Mundo” . Trata-se do: “The Moondog Coronation Ball”. Na verdade, consiste no conjunto de cinco espetáculos apresentados na Arena da cidade de Cleveland (de volta para Ohio). Como não poderia deixar de ser, a Arena transborda de “neguinho”. Tal ajuntamento desmedido de seres superiores, só pode causar o quê? Confusão, lógico! Dessarte, as “ótoridades” locais, sorrindo à toa, interditam os primeiros concertos de Rock que se tem notícia.
A saga do mais invejado gênero musical e do seu injustiçado “Pai” (Alan Freed) traz consigo emocionante seqüência nos próximos capítulos... “Inté lá”!...

1 - “Elevai os corações!”. Regozijai-vos. ...retornar

2 - Locução que designa alguma coisa que não tem predomínio ou poder absoluto, mas que goza de prestígio especial ou que ocupa lugar de destaque. ...retornar

3 - Seres monstruosos da Mitologia Grega. Seriam filhas de Posseidon (Netuno) e do Mar (Como o “Deus dos Oceanos” efetuou essa transa?!?!), ou então, de Taumante e da Oceânida Electra. Há um bom número delas. As mais conhecidas são: Aelo, Ocípete e Celeno. Seu aspecto, assim é transcrito: cabeça e rosto de mulheres raivosas, imensos seios flácidos pendentes, corpo de abutre, orelhas de urso, garras nos pés e nas mãos, plumas revestidas e invulneráveis. Verdadeiras tetéias! O grande “barato” das moçoilas consiste em arrebatar alimentos das mesas e espalhar uma fetidez insuportável. Corrompem e infectam tudo o que alcançam levando a desolação, a fome e a miséria por todos os lugares. Zeus (Júpiter) e Hera (Juno), no instante que decidem castigar alguém enviam as Harpias. Conforme alguns autores, o nome deriva de “Harpázoo” que significa: “Eu arrebato”. As danadinhas não lembram certas pessoas? hein? ...retornar
 
   
História do Rock and Roll
Adriano Alves Fiore
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