Parte V
 “Anos Cinqüentas: Sexo prá burro, Drogas (em via de desenvolvimento) e Rock and Roll!"
“Rock and Roll é um rio de música que vem se formando por muitas correntes: Rhythm and Blues, Jazz, Rag Time, Cowboy Songs, Country Songs, Folk Songs” - Alan Freed.
 

Ditosa preocupação do autor


Quando tive a idéia de confeccionar a minha própria Enciclopédia/História do Rock and Roll não imaginava que fosse deparar com tamanho volume de informações, fatos e acontecimentos pertinentes. Confesso que me encontro, maravilhosamente, obstúpido! Esse gênero musical é tão singular - único - e tão ricamente constituído que se torna impossível transcrever a sua existência in totum (no todo). É um buraco sem fundo. Quanto mais leio e pesquiso a respeito, mais ignorante me sinto, mais preciso recuar no tempo e buscar espaços (caminhos) dantes não-imaginados. Esperava completar a História do R & R em quinze capítulos, Rá, Rá, Rá!... Vocês terão que me aturar por alguma eternidade ainda!

 
Anos Cinqüentas


Época conturbada para a Humanidade. Gostaria de ter o conhecimento de um “anozinho” – tão-somente “unzinho”! - no qual o homem (ou a mulher) não complicasse a vida de seus semelhantes e não estragasse a Natureza e o Mundo?!?! De 1946 até 1954 a França vinha travando uma guerra “encarniçada” com o Vietnã: a famosa Guerra da Indochina. Entre 1950 e 1953, outra pancadaria esfoladora generalizada – absolutamente desnecessária! – e internacional faz-se notar: a Guerra da Coréia. Forças das Nações Unidas e dos Estados Unidos da América do Norte intrometem-se na briga de coreanos sulistas e nortistas; em suma, o arranca-rabo só sossega na hora que a “desnutrida de gente” China resolve enviar uma módica divisão de soldados (apenas, uns trezentos mil) para combater na sua fronteira ameaçada e depois seguir até Seul. Estima-se que a Guerra da Coréia tenha fornecido aos vermes, apreciadores de defuntos, a bagatela de três milhões e meio de pessoas.

No âmbito interno, os Estados Unidos da América do Norte passam por situações conflituosas e por mudanças interessantes. O pastor Martin Luther King Junior (1929-1968) encabeça um movimento geral das populações afro-americanas exigindo das autoridades governamentais o cumprimento dos direitos civis (constitucionais) feridos pela segregação étnica. Por volta dos anos compreendidos entre 1947 e 1957, dá-se lugar ao período nomeado: Macarthismo ou Segundo Terror/Pavor Vermelho (“McCarthyism” ou “Second Red Scare”); uma autêntica caça aos cidadãos norte-americanos acusados de simpatizar com o Comunismo Internacional, entenda-se aí, a outra superpotência mundial (concorrente dos EUA): União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Os soviéticos haviam desenvolvido a bomba atômica utilizando-se de serviços prestados por espiões como o casal de americanos Julius e Ethel Rosenberg (executados em 1953). A denominação “McCarthyism” advém do nome de seu principal propagador e executor o senador Joseph Raymond McCarthy (1909-1957) que, como a justiceira História não poderia deixar de denunciar, veio a falecer totalmente desacreditado. Na verdade, por trás do Macarthismo esconde-se todo o medo da camada conservadora populacional dos EUA perante as novas ondas de reformas culturais e sociais. Pessoas de diversas áreas – inclusive, do próprio governo – são obrigadas a prestar depoimentos infundados e caluniosos; dentre as vítimas mais famosas, posso destacar Charles Chaplin e Albert Einstein, este ironicamente havia fugido para o Ocidente temeroso do Comunismo! Sim, também tinha ocorrido um “Primeiro Terror/Pavor Vermelho” nos Estados Unidos da América do Norte entre 1917 e 1920.

Sexo... Drogas... & Rock and Roll – ainda nos anos cinqüentas

“Baby Boomers”. Acabando a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), milhares de milhares de soldados-combatentes e outros tantos (geralmente, num número cinco vezes maior) de ajudantes retornam para seus lares e nações de origem. Tal desproporcionado reencontro de seres humanos, só, poderia redundar em quê? Sexo, sexo e... Num montão de molecada. O fenômeno atinge diversos países, destacando-se os Estados Unidos. Isto porque os gringos entraram com tudo na Guerra após o Ataque de Pearl Harbor (07 de dezembro de 1941). A geração que se enquadra no espaço de tempo entre 1946 até 1964 costuma ser denominada: “Baby Boomers generation”. Durante essa fase - em que se inclui a década de cinqüenta em sua totalidade -, os numerosos jovens adolescentes vão exercer uma pressão social sem precedente!

Precisa dizer que o estilo musical predileto de todas as multidões de “baby boomers” é o Rock and Roll?!?!?!

A indústria cinematográfica já se beneficia dos filmes coloridos; a televisão ainda continuaria em preto-e-branco até a metade da década vindoura (de sessenta). Os “baby boomers” pertencem à geração que dispõe de aparelhos de tevê e de rádio em suas residências que lhes impõem modas e estilos de vida. Provocam-lhes atitudes e, até, formas de falar distintas (gírias). O Rock and Roll, graças ao avanço dos novos meios de comunicação de massa, espalha-se rapidamente pelos EUA e pelo Mundo. Une platéias de adolescentes de todas as etnias que, ao contrário de seus pais, não se importam em assistir aos shows de seus artistas brancos e/ou afro-americanos, lado a lado. O estouro midiático do Rock and Roll desponta no momento exato em que a enorme população de jovens corre atrás de uma identidade própria, contestadora; o novo ritmo “alucinante” contrapõe ao tradicionalismo marcante da Música Clássica e de outros gêneros musicais preferidos pela geração de seus pais e avós.

 
 
Albert James “Alan” Freed (1921-1965), sozinho, jamais deveria ser considerado o “pai” do Rock and Roll! Até aí, tudo bem. Mas, é absolutamente incontestável a importância de “disc-jockeys” como ele para a divulgação e aceitação do público para o novo som. Com certeza que, sem o trabalho exaustivo e bem-acabado de destemidos programadores de rádio e donos de gravadoras (não menos corajosos), os primeiros músicos de Rock and Roll teriam sucumbido, tragados pela vigilância implacável do sistema mantenedor da “ordem” e dos “bons costumes”. Homens com a mesma convicção e ousadia de Freed garantiram o nascimento, o desenvolvimento e a perpetuação do Rock and Roll. É o que continuaremos a ver, também, nos próximos capítulos – sensacionalmente - emocionantes!... “Não percam”!!!
 
   
História do Rock and Roll
Adriano Alves Fiore
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