|
 |
 |
| Parte VIII |
| Os Quatro Cavaleiros do RockApocalipse – parte III |
|
 |
|
|
| |
Pois é, acredito que a maioria dos nossos (as) insaturáveis e ávidos (as) - de conhecimento (e sabedoria) - leitores (as) já deva ter assistido ao filme: “A Fera do Rock” (“Great Balls of Fire”), estrelando Dennis Quaid como o insubstituível Sir Jerry Lee Lewis.

Bom, na película (digo, VHS ou DVD), o homem faz as vezes do Capeta em pessoa: casa com uma prima (De primeiro ou segundo grau?) de apenas treze anos de idade; canta e rebola agressivamente em cima do piano, chutando o banquinho pra todo os lados; escandaliza em público com carrões e roupas inconvenientes; é absurdamente desbocado perante a imprensa, e, por aí vai... Algum engraçadinho poderia borboletear-se todo, exclamando: “E daí, grande coisa!”. Sim, seria se a história transcorre-se nos “maravilhosos” dias hodiernos, onde a excessiva hipocrisia, a bazófia e a imbecilidade recebem salva de palmas, onde se constroem “celebridades” (verdadeiros patéticos ídolos populares), a torto e a direito, e a porqueira (Que me perdoem os suínos – somente os originais - pela ingrata comparação!) impera absoluta. Jerry enfrentou tudo aquilo, sozinho, na década de cinqüenta.
|
|
 |
| |
Jeremias nasceu em Ferriday (Louisiana – USA) no dia 29 de setembro de 1935. Qual todo homem que se preze, sempre se sentiu incomodado com as regras estabelecidas para, no caso dele, tocar o piano. Sua mãe inutilmente tentou encaminhá-lo para a carreira litúrgica de glória ao Senhor. Jerry desenvolveu um estrambótico (e agressivo) estilo próprio, combinando Rhythm and Blues, Boogie Woogie, Gospel e Country Music. Trocando em miúdos, ele cantava e tocava Rock and Roll com muita fúria e suingue.

A partir de 1954, apresentando a sua primeira “demonstration tape” para as gravadoras, Jeremias tornou-se parte do despertar do novo som: Rock and Roll.
Sem cessar, consciente de seu talento e gênio, enfrentava as críticas e afrontas de qualquer um que cruzasse o seu caminho: mídia, platéias antagônicas e raivosas, companheiros de banda, empresários musicais, parentes (por exemplo: o reverendo Jimmy Swaggart - também seu primo -, e famoso evangelista televisivo, exímio “caçador de demônios”), etc.

Em 1958 (ou consoante, Lilian Roxon e seu livro: Rock – Encyclopedia de 1969, em maio de 1957), já casado com Myra Gale Brown (sua prima de 13 anos de idade), sofreu terríveis perseguições difamatórias durante turnê pela Inglaterra. Nesta, seus shows (por volta de trinta) foram cancelados, foi expulso do hotel em que se hospedava (ordem da gerência) com a banda e etc. e tal; com muita firmeza mandou todo o mundo pra aquele lugar!
|
|
|
|
| A sua crucificação na Inglaterra prosseguiu nos Estados Unidos da América do Norte. “Desterrado” em sua própria terra natal, a sua carreira artística ruiu; seus discos sofreram embargos em todas as lojas do país; seu cachê caiu em assombrosa desvalorização: de 10 mil dólares, mal conseguia atingir 250 “bucks”, e isto em se tratando de qualquer “honky tonk” bar (estabelecimento simplório, geralmente destinado às classes “baixas”, onde se serviam bebidas espirituosas – com álcool – e carinhos carnais; muito difundido no Meio-Sul dos EUA). Não obstante, Jerry sobreviveria... |
|
| |
“A honra perdida e reconquistada; não há nenhum bem no mundo que se iguale.” – Miguel de Cervantes Saavedra (1547–1616), autor de Dom Quixote.

O homem era de fato uma fera - irreverente e alucinado em suas performances -, colecionando alguns apelidos, como: “Wild Man”, “Bad Boy of Rock and Roll” e “The Killer”.
Certa vez, literalmente incendiou o piano com o qual se apresentava para que o artista seguinte não lhe roubasse a cena; o músico prejudicado era outra “figurinha” difícil (e também, cavaleiro do RockApocalipse): Chuck Berry. “Nobody messed with The Killer"!
|
|
|
|
| Há vários e vários anos, assisti a um programa brasileiro de audiência nacional em que o apresentador e a platéia resolveram “tirar um sarrinho” ao vivo - em português - em Sir Jerry Lee Lewis quando este se dirigia ao assento do piano. Tsk, tsk, tsk, pobres criaturas! O “Matador”, não pronunciando uma única palavra, simplesmente, silenciou a matula com olhar desprezativo; em seguida, tocou algumas notas, deu uns safanões no instrumento e se retirou. Como Jerry, quantas e quantas pessoas dignas de respeito são achincalhadas, covardemente, pela imprensa ou por gente de mídia que não serviria sequer para lhes estender o tapete! Mas, Jeremias dá o troco na hora. Atualmente, depois de ter comido o pão que o Diabo amassou, ele recebe milhares de premiozinhos (e medalhinhas) aqui e ali. Elvis Presley chegou a comentar: “Se eu tocasse piano como esse cara pararia de cantar.”... |
|
|

|
|
|