Por suas características de movimento musical e, ao mesmo tempo, de fator de influência nos costumes e no comportamento, o Heavy Metal (como o Hard Rock) também abarca o complexo, o multifacetado. Por essa razão, tem a natureza do Barroco e do polifônico, podendo-se adotar o pressuposto de que sua presença é carnavalizante.

Tem-se aí um importante fator para um estudo de significação numa área que utiliza em larga escala o desenho (gravura) gráfico e a fotografia. Tal estudo naturalmente envolve a metodologia teórica da Semiótica em sua análise de imagem e fotografia. O desígnio desse estudo, por diante, baseado na estrutura filosófica de Mikhail Mikhailovich Bakhtin, é o de extrair elementos de significação da fascinante figura do Diabo - e de outras imagens - e visualizações encontradas no meio de comunicação de massa para, com eles, examinar as perdas, os ganhos e as alterações de percepção social.

INTRODUÇÃO

O estudo apresenta como ponto de referência a gama de significados que pode ser revelada por uma análise da imagem como manifestação de linguagem (e comunicação) e consequentes efeitos de sentido que podem ser projetados sobre seus receptores. O papel que desempenham os elementos de carnavalização no processo comunicacional das representações gráficas ou fotográficas examinadas vem a confirmar o influxo, cada vez maior, daquilo que se vê - da imagem – na vida social, familiar e interpessoal do homem contemporâneo.
O alicerce científico conta com a filosofia da linguagem do semioticista, linguista e pensador russo Mikhail Mikhailovich Bakhtin (1895 -1975). Através do tema interdisciplinar: carnavalização - criado e desenvolvido por Bakhtin - tem-se uma análise do emprego da representação imagética do Diabo (e suas características reveladoras: os chifres, as patas fendidas à semelhança de um pé de cabra, os olhos afogueados e luzidios, as unhas na forma de garras, etc.) em capa de dois discos (em formato de LP, long play, ou de CD, compact disc) e a figura de Jesus Cristo num outro. Trabalhos audiovisuais produzidos por grupos do Hard Rock e Heavy Metal.
Parte-se do pressuposto de que a forma convencional do Diabo seja essencialmente paródica e carnavalesca. Ele faz parte do universo imagético popular, assim como da natureza do movimento do Rock e de seus subgêneros: o Hard Rock e o Heavy Metal que se utilizam muito bem de todos os exageros e hipérboles na criação de suas imagens; sinais característicos estes mais marcantes do estilo grotesco.

Este trabalho tem como objetivo geral, analisar a significação resultante do processo de geração de sentido da imagem diabólica em ilustrações de capa presentes em discos de bandas do Hard Rock e Heavy Metal, seguindo a idéia de carnavalização bakhtiana a fim de compreender os impactos recebidos pelo público e pela sociedade.

Como objetivos específicos destacam-se:

  • Indicar os elementos de carnavalização presentes nas figuras e imagens utilizadas na feitura das capas em questão, bem como outros recursos de construção.

  • Analisar o processo de percurso gerativo dos autores da imagem luciferina apresentadas nas capas dos discos intitulados: Born Again (1983) do Black Sabbath e Open Up and Say... Ahh! (1988) do Poison, e da representação de Jesus Cristo em: Christ Illusion (2006) do Slayer.

  • Avaliar e analisar a importância da carnavalização nas diversas manifestações socioculturais dentro (e fora) do mundo do Rock.

  • Apreciar o modo como se podem interagir as categorias ou tipos imagéticos, assim revelando mais recursos para o processo de construção da espécie de trabalho gráfico e/ou ilustrativo em uso.

  • Determinar o peso meritório da representação simbólica do Diabo, tão largamente emprestada às capas de discos de bandas do Hard Rock e Heavy Metal no Brasil e no Mundo como reforço ou elemento persuasivo. 
     

O autor deste trabalho tem como afinidade eletiva o Rock, sua história, seu percurso antropológico, buscando colocar nos textos de crônica que publica, uma contextualização de comportamentos, práticas sociais e valorações. O exercício do ofício de cronista requer sempre um emprego enriquecido de recursos de construção visual e textual. Para isso contribuirão os conhecimentos das técnicas pertinentes às teorias da Comunicação Imagética e da Enunciação (Semântica Argumentativa, Análise da Conversação, Análise do Discurso, Linguística Textual e Semiótica), ou seja, das áreas que estudam o discurso.
A imagem trabalha com a fantasia, supera o próprio produto ou marca, é uma manifestação discursiva que provoca reação cognitiva, gerando informação, obtida por meio da leitura visual e a carnavalização é uma forma sincrética de espetáculo que influencia, de maneira determinante, tal apreensão imagética de sentido. Busca-se na imagem o que ela pode significar.

continua...

 
   
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